segunda-feira, 26 de maio de 2008

Budapeste, Hungria 22 a 25 de maio de 2008: "o Brasil que deu certo."

















A frase nao eh minha, adianto, mas de nosso companheiro de viagem Felipe Pavan. E tenho que concordar, ela resume minhas impressoes sobre a Hungria, e, em particular, Budapeste, sua capital. O pais consegue reunir a informalidade e calor humano do Brasil e, ao mesmo tempo, apresenta uma organizacao e desenvolvimento economico-social que, apesar de nao estar ainda no mesmo patamar dos paises da europa ocidental, eh bastante significativo, sendo raros sinais de miseria.
























Saimos de Viena por trem, direto para Budapeste. A viagem foi muito boa, e aproveitamos para almocar no caminho. Tivemos o prazer de conhecer o italiano Umberto, que eh um retrato do mundo globalizado em que vivemos hoje. Ele eh italiano, mora em Viena, na Austria, e namora uma Belga, que mora na Hungria, e conversou conosco em ingles. Incrivel, nao ?! Em que outra epoca da humanidade se poderia imaginar isso? rs
























A estacao de trem de Budapeste, advirto, tem uma pessima aparencia, mas nao se deve julgar o pais por aquela estacao. Seria uma tremenda injustica.
























Budapeste eh uma cidade hoje muito desenvolvida, mas que preservou uma atmosfera e charme "old style" incomparavel. Apesar dos muitos grafites nos predios, eh, sem duvida, a melhor das cidades do leste europeu que jah visitei.











Os precos sao bastante em conta tb. Seu sistema de metro eh complicado, e exige um pouco de atencao para evitar multas, o que aconteceu com um amigo nosso. Por exemplo, diferentemente do resto da europa e do Brasil, eh preciso pagar um complemento ao bilhete unitario para se pegar conexoes. Apesar disso, os "baloes" sao frequentes, e muitas vezes "autorizados" pelos proprios fiscais, como aconteceu comigo, em uma determinada estacao onde nao havia venda de bilhetes no momento. Simplesmente o fiscal me deixou passar sem bilhete. Seria algo assim possivel na Austria? rs
A cidade eh extremamente vibrante, tem uma vida noturna incomparavel e na maioria dos lugares se pode entrar de graca, pagando-se apenas o que se consome. E nao pensem que por isso os lugare sao ruins, mas ao contrario, dao de dez a zero na maioria dos que temos no Brasil, tanto em termos de animacao como de frequencia.
Tivemos sorte porque pegamos um excelente tempo em Budapeste, o que deu para aproveitar uma praia artifical que montaram na regiao, com direito a futebol e volei de areia e palco com DJ. A organizacao era impressionante. Apesar de tudo ser de graca - heranca, talvez, do passado socialista - nao havia tumulto ou precariedade, e podia-se calmamente aproveitar o espaco publico, com direito a diversas atracoes e barracas.
Outra coisa sensacional que tivemos a oportunidade de conhecer foram as estacoes de aguas termais de Budapeste. Sao imensas piscinas com aguas que chegam a ateh 38o graus celsius. Foram construidas pelos turcos, e aproveitam a agua quente que vem das profundezas da terra. Sao lugares fantasticos, onde se pode passar uma bela tarde apenas relaxando e pegando um sol, e foi o que fizemos no sabado.
Vimos figuras estranhas no albergue em que ficamos, o Bubble. Lah havia um australiano que estava morando hah seis meses no local! Inacreditavel essas figuras que encontramos pelos albergues, um dia terei que escrever um livro soh sobre o assunto...rs A dona, Olga, foi realmente fantastica, e nos auxiliou muito com dicas sobre a cidade.
Visitamos tb um parque para onde foram "exiladas" as estatuas do passado comunista. Realmente a palavra certa eh "exilio", a distancia eh muito grande da cidade, e eh dificilimo ir para lah com transporte publico, por isso preferimos pegar um taxi, mas valeu a visita.
Diferente do que vi na Servia, as pessoas em Budapeste nao parecem ter muito saudosismo do passado comunista, embora reclamem dos baixos salarios e do crescimento das desigualdades com o capitalismo. Muitos com quem conversei jah trabalharam em outros paises, como a Inglaterra, principal destino, e continuam lutando por uma vida melhor, apesar de eu particularmente achar muito boa a que eles jah tem! rs
Apos Budapeste rumamos para a Romenia! Foi uma grande mudanca, realmente aqui jah vemos muito mais pobreza. Espero poder escrever sobre este pais em breve. Abracos a todos de Siguisoara, Transilvania, terra do Dracula! rs

sábado, 24 de maio de 2008

Bratislava, Eslovaquia (21 de maio): a cidade do filme de terror ¨O Albergue¨.





















Bratislava eh a capital da Eslovaquia. Talvez seja mais conhecida por ser o cenario do filme de terror "Albergue", que conta a historia de jovens mochileiros americanos que se veem em uma grande roubada em uma cidade desconhecida, exotica e perigosa da europa oriental.








Na verdade, Bratislava nao tem nada de desconhecida, exotica ou perigosa. Talvez antes da abertura politica o perigo fosse um pouco maior. Por fazer fronteira com a Austria, e estando a cerca de 50 km de Viena, era um dos pontos de tensao do mundo dividido da guerra fria, sendo extremamente vigiada pelas forcas armadas de ambos os lados.










Hoje a Eslovaquia eh uma das vedetes da europa oriental, e se prepara para adotar o euro em breve, creio que ainda este ano, conforme noticia que li em jornal por aqui. Na verdade, conforme observamos por lah, os precos jah estao todos "eurorizados", com pouca diferenca em relacao a Austria.








A cidade, contudo, eh bastante diferente. Tem um aspecto mais sujo e pobre do que Viena, mas nada assustador, exceto sua estacao de trem rs, e no geral poderiamos considera-la bem mais desenvolvida do que as nossas cidades brasileiras. Tem uma parte historica bastante grande, com um castelo enorme situado no alto de uma colina, o qual tivemos oportunidade de visitar. Bratislava tem muita historia. Nesta cidade, durante muitos anos foram corados os reis hungaros, quando Budapeste encontrava-se sobre controle dos turcos.








A cidade eh, assim como Viena, cortada pelo danubio, que ao contrario do nome da famosa musica classica "danubio azul", de Johann Strauss, nao tem nada de azul, mas sim uma aparencia verde, mas parecida com um dos inumeros rios poluidos que cortam as grandes cidades brasileiras. rs





A cidade eh pequena, e pode-se conhecer quase todas as suas principais atracoes em um dia de caminhada, que foi o que fizemos.




Algo inusitado que chama a atencao na cidade sao determinadas placas de formatura, que sao fixadas em pequenas lojas (talvez da turma de um filho do dono ou de empregado), com fotos de formandos de nivel medio e superior. O engracao eh que todos fazem umas poses tentando parecer sexys, com maos no queixo, olhares perdidos, bracos cruzados, como cantores e cantoras em albuns de cd. O resultado eh hilario, como podem comprovar na foto acima (basta clicar em cima para aumentar o tamanho).



Outra curiosidade eh que a grafia de policia eh exatamente como a do portugues, inclusive com acento agudo no ¨i¨, apesar de o eslovaco nao ter nada a ver com nossa lingua, lembrando em muitas palavras o polones.
Curioso notar a tendencia universalista de certos monumentos do passado socialista. Na antiga Berlin oriental (hoje unificada) encontra-se o famoso relogio mundial, com a hora de varias partes do mundo. Em Bratislava, hah algo parecido, soh que em vez das horas apresenta a distancia da cidade para diversas grandes cidades do mundo. Assim constatei que jah havia me distanciado, apenas percorrendo este trajeto por terra e mar, exatamente 1430 km (foto acima) do meu destino inicial na europa, Helsinki, na Finlandia. Uma bela distancia, nao?


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Viena, Austria - 19 a 22 de maio de 2008: a cidade dos palacios



















Em Viena nosso grupo aumentou. Nosso amigo Felipe Pavan juntou-se a nos. Essa foi a parte mais corrida da viagem, nao pelo fato de termos ficado pouco tempo, afinal, foram tres noites, o que eh razoavel. Mas a cidade tem muitos pontos para se visitar, e se voce pretender ver ao menos metade deles, vai ter que literalmente correr.



Viena tem um ar inegavelmente aristocratico. Capital do antigo imperio austro-hungaro, tem inumeros palacios, jardins e museus, cuja beleza e luxo eh indescritivel. Eh uma cidade mais cara que as do leste que ateh agora visitei tambem, mas a diferenca hoje nao eh mais tao grande como jah foi no passado, logo apos a queda do muro.



Apesar do ar aristocratico, hah sinais de rebeldia e de destoamento com essa impressao que Viena passa a primeira vista. Presenciamos um protesto (!) de estudantes que lutavam pela gratuidade do ensino superior (hoje devem pagar uma taxa de cerca de 300 euros por semestre). Havia um numero quase igual de policiais em volta.







Alem disso, vimos nitidos sinais de autoritarismo e preconceito na atuacao do aparelho estatal austriaco. Presenciamos abordagens selecionadas de pessoas de cor escura e com aparencia de imigrantes nas estacoes de trem. Vimos tambem um belo de um "esporro" passado por fiscais do metro em um cigano e seu filho que tocavam no nosso vagao, que nao faria feio perto da atuacao de soldados da SS nos campos de concentracao. Sao as contradicoes de um mundo globalizado que parecem ser cada vez mais frequentes. Resta saber qual serah a resultante de tudo isso.




Aproveitamos a proximidade com Bratislava, na Eslovaquia, para conhecer esta cidade, sobre a qual falarei mais no proximo "post".

As minas de sal de Wielicza, Polonia - 16 de maio de 2008









As minas de sal de Wielicza foram uma grata surpresa. A apenas uns 20 minutos de carro de Cracovia, os seus caminhos subterraneos perfazem um total de quase 300 km de extensao.



A mina de sal eh antiquissima, tendo cerca de uns 800 anos. A grande atracao dela sao as esculturas nas pedras, feitas em sua maioria pelos proprios mineiros. Faz bastante frio lah em baixo, e passando-se a mao nas rochas pode-se tirar um pouco de sal.




Ao longo de sua historia, a mina recebeu ilustres turistas, como Copernico, Goethe, entre outros. Guarda historias curiosas, como a do canal Weimar (foto). O passeio de barco, iniciado no seculo XIX para turistas, foi fechado apos soldados austro-hungaros, durante a primeira guerra, terem morrido afogados apos virarem o barco que fazia o pequeno passeio (provavelmente bebados... rs).



A salinidade da agua dos lagos da mina eh incrivel (foto). A proporcao eh de 325 g de sal para um litro de agua, o que torna possivel um ser humano boiar na agua sem saber nadar.



A caminhada pelo subterraneo da mina (que fica hah mais de cem metros abaixo da superficie, chegando a 300 m em alguns trechos) eh longa, mas vale a visita.