sábado, 24 de maio de 2008

Bratislava, Eslovaquia (21 de maio): a cidade do filme de terror ¨O Albergue¨.





















Bratislava eh a capital da Eslovaquia. Talvez seja mais conhecida por ser o cenario do filme de terror "Albergue", que conta a historia de jovens mochileiros americanos que se veem em uma grande roubada em uma cidade desconhecida, exotica e perigosa da europa oriental.








Na verdade, Bratislava nao tem nada de desconhecida, exotica ou perigosa. Talvez antes da abertura politica o perigo fosse um pouco maior. Por fazer fronteira com a Austria, e estando a cerca de 50 km de Viena, era um dos pontos de tensao do mundo dividido da guerra fria, sendo extremamente vigiada pelas forcas armadas de ambos os lados.










Hoje a Eslovaquia eh uma das vedetes da europa oriental, e se prepara para adotar o euro em breve, creio que ainda este ano, conforme noticia que li em jornal por aqui. Na verdade, conforme observamos por lah, os precos jah estao todos "eurorizados", com pouca diferenca em relacao a Austria.








A cidade, contudo, eh bastante diferente. Tem um aspecto mais sujo e pobre do que Viena, mas nada assustador, exceto sua estacao de trem rs, e no geral poderiamos considera-la bem mais desenvolvida do que as nossas cidades brasileiras. Tem uma parte historica bastante grande, com um castelo enorme situado no alto de uma colina, o qual tivemos oportunidade de visitar. Bratislava tem muita historia. Nesta cidade, durante muitos anos foram corados os reis hungaros, quando Budapeste encontrava-se sobre controle dos turcos.








A cidade eh, assim como Viena, cortada pelo danubio, que ao contrario do nome da famosa musica classica "danubio azul", de Johann Strauss, nao tem nada de azul, mas sim uma aparencia verde, mas parecida com um dos inumeros rios poluidos que cortam as grandes cidades brasileiras. rs





A cidade eh pequena, e pode-se conhecer quase todas as suas principais atracoes em um dia de caminhada, que foi o que fizemos.




Algo inusitado que chama a atencao na cidade sao determinadas placas de formatura, que sao fixadas em pequenas lojas (talvez da turma de um filho do dono ou de empregado), com fotos de formandos de nivel medio e superior. O engracao eh que todos fazem umas poses tentando parecer sexys, com maos no queixo, olhares perdidos, bracos cruzados, como cantores e cantoras em albuns de cd. O resultado eh hilario, como podem comprovar na foto acima (basta clicar em cima para aumentar o tamanho).



Outra curiosidade eh que a grafia de policia eh exatamente como a do portugues, inclusive com acento agudo no ¨i¨, apesar de o eslovaco nao ter nada a ver com nossa lingua, lembrando em muitas palavras o polones.
Curioso notar a tendencia universalista de certos monumentos do passado socialista. Na antiga Berlin oriental (hoje unificada) encontra-se o famoso relogio mundial, com a hora de varias partes do mundo. Em Bratislava, hah algo parecido, soh que em vez das horas apresenta a distancia da cidade para diversas grandes cidades do mundo. Assim constatei que jah havia me distanciado, apenas percorrendo este trajeto por terra e mar, exatamente 1430 km (foto acima) do meu destino inicial na europa, Helsinki, na Finlandia. Uma bela distancia, nao?


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Viena, Austria - 19 a 22 de maio de 2008: a cidade dos palacios



















Em Viena nosso grupo aumentou. Nosso amigo Felipe Pavan juntou-se a nos. Essa foi a parte mais corrida da viagem, nao pelo fato de termos ficado pouco tempo, afinal, foram tres noites, o que eh razoavel. Mas a cidade tem muitos pontos para se visitar, e se voce pretender ver ao menos metade deles, vai ter que literalmente correr.



Viena tem um ar inegavelmente aristocratico. Capital do antigo imperio austro-hungaro, tem inumeros palacios, jardins e museus, cuja beleza e luxo eh indescritivel. Eh uma cidade mais cara que as do leste que ateh agora visitei tambem, mas a diferenca hoje nao eh mais tao grande como jah foi no passado, logo apos a queda do muro.



Apesar do ar aristocratico, hah sinais de rebeldia e de destoamento com essa impressao que Viena passa a primeira vista. Presenciamos um protesto (!) de estudantes que lutavam pela gratuidade do ensino superior (hoje devem pagar uma taxa de cerca de 300 euros por semestre). Havia um numero quase igual de policiais em volta.







Alem disso, vimos nitidos sinais de autoritarismo e preconceito na atuacao do aparelho estatal austriaco. Presenciamos abordagens selecionadas de pessoas de cor escura e com aparencia de imigrantes nas estacoes de trem. Vimos tambem um belo de um "esporro" passado por fiscais do metro em um cigano e seu filho que tocavam no nosso vagao, que nao faria feio perto da atuacao de soldados da SS nos campos de concentracao. Sao as contradicoes de um mundo globalizado que parecem ser cada vez mais frequentes. Resta saber qual serah a resultante de tudo isso.




Aproveitamos a proximidade com Bratislava, na Eslovaquia, para conhecer esta cidade, sobre a qual falarei mais no proximo "post".

As minas de sal de Wielicza, Polonia - 16 de maio de 2008









As minas de sal de Wielicza foram uma grata surpresa. A apenas uns 20 minutos de carro de Cracovia, os seus caminhos subterraneos perfazem um total de quase 300 km de extensao.



A mina de sal eh antiquissima, tendo cerca de uns 800 anos. A grande atracao dela sao as esculturas nas pedras, feitas em sua maioria pelos proprios mineiros. Faz bastante frio lah em baixo, e passando-se a mao nas rochas pode-se tirar um pouco de sal.




Ao longo de sua historia, a mina recebeu ilustres turistas, como Copernico, Goethe, entre outros. Guarda historias curiosas, como a do canal Weimar (foto). O passeio de barco, iniciado no seculo XIX para turistas, foi fechado apos soldados austro-hungaros, durante a primeira guerra, terem morrido afogados apos virarem o barco que fazia o pequeno passeio (provavelmente bebados... rs).



A salinidade da agua dos lagos da mina eh incrivel (foto). A proporcao eh de 325 g de sal para um litro de agua, o que torna possivel um ser humano boiar na agua sem saber nadar.



A caminhada pelo subterraneo da mina (que fica hah mais de cem metros abaixo da superficie, chegando a 300 m em alguns trechos) eh longa, mas vale a visita.

Auschwitz, Polonia - 17 de maio: a maquina brutalmente racional de genocidio nazista.









Ir para Auschwitz nao eh como ir a um parque de diversoes. O terrivel campo de concentracao - que, na verdade, eh um complexo que reune varios campos, sendo o maior o numero 2 - foi cenario de morte de cerca de 1.500.000 pessoas, sendo que destes cerca de 90% eram judeus, e o restante era composto de ciganos, dissidentes politicos, soldados do exercito vermelho e outros grupos indesejaveis para o sistema nazista.






Eh realmente um ambiente bastante carregado, e eh impossivel entrar em um lugar onde ocorreram tamanhas atrocidades sem sair um pouco abalado.









Os campos de concentracao de Auschwitz ficam hah cerca de uma hora e meia de onibus de Cracovia. Embora tenham existido campos iguais por toda Europa, Auschwitz foi o concentrador, para onde foi mandada a maior parte dos inimigos dos nazistas.









A maquina de exterminio nazista era incrivelmente racional e igualmente brutal, funcionando como um sistema industrial de mortes massificadas. Os inimigos presos eram submetidos, ao chegarem por trem, a uma rapida triagem feita por medicos nazistas. Apenas os aptos ao trabalho eram inicialmente poupados, sendo que os demais eram encaminhados para banhos de desinfectacao, que na verdade constituiam-se em enormes camaras de gas, nas quais era possivel matar alguns milhares de homens, mulheres e criancas ao mesmo tempo.









Apos a morte dos mesmos, tudo era aproveitado, ateh mesmo o cabelo das mulheres (foto acima) que era vendido para industrias texteis alemaes. Malas, dentes de ouro, sapatos e ateh escovas de dentes eram separados em montes sendo posteriormente dada uma destinacao economica aos mesmos.









Os corpos eram queimados em grandes crematorios. Apenas as ruinas de um dos 4 que funcionavam em Auschwitz 2 permaneceu, jah que os nazistas, em sua fuga desesperada do exercito vermelho, tentaram eliminar as evidencias do massacre. Eh interessante que as ruinas que permaneceram sao do unico crematorio destruido pelos proprios judeus, durante uma rebeliao armada ocorrida no campo.







A sorte dos que nao eram mandados diretamente para as camaras de gas nao era nada melhor da dos que permaneciam no campo. Esses eram submetidos a jornadas de trabalho bracal de 12, 15 horas diarias, e recebiam uma cota de alimentacao insuficiente para repor as energias despedidas. As roupas dadas aos internos tb nao os protegia do frio, pois era fina demais. Alem disso, as condicoes de alojamento e higiene eram pessimas tambem (foto acima de beliches onde dormiam varios internos amontoados). Se nao bastasse, ainda havia castigos extremamente brutais dos nazistas, como celas onde os presos ficavam apenas em pe, extremamente estreitas, ou banhos gelados e consequente exposicao ao clima congelante do inverno na regiao.









Apesar de em menor numero no campo (cerca de duas dezenas de milhares) os castigos mais brutais foram destinados aos soldados do exercito vermelho. Apenas 90 sobreviveram.
















Auschwitz foi libertado pelos russos poucos meses antes da queda de Berlin, em janeiro de 1945. Muitas evidencias do massacre permaneceram, jah que os alemaes nao tiveram tempo para destruir a todas. Alguns internos mais afortunados foram salvos durante a libertacao de Auschwitz, mas muitos morreram logo apos em consequencia da brutalidade do tratamento dado no campo.











Auschwitz foi tb o unico campo onde se tatuava o numero dos presos na pele. Lah tambem foram feitos varios experimentos cientificos desumanos em judeus pelos medicos nazistas. Muitos foram realizados em gemeos.












Enim, eh o retrato do que hah de pior no ser humano, e acredito ser importante uma passagem por Auschwitz, em homenagem aqueles que perderam suas vidas de maneira tao torpe. A famosa frase de entrada de Auschwitz (foto acima) diz: "o trabalho liberta". Inacreditavel...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cracovia, Polonia - 16 a 18 de maio













Carissimos, tenho que explicar o "sumico" antes de mais nada! rs Os ultimos dias tem sido muito corridos, pois encontrei com amigos do Brasil, e estamos tentando aproveitar ao maximo as cidades pelas quais temos passado, o que acaba resultando em pouco tempo para postar as fotos pela web, mas tentarei atualizar agora um pouco o blog, embora seja uma tarefa dificil pela quantidade enorme de lugares interessantes aos quais temos ido. No momento, estou em Viena, e amanha eu e meus amigos do Brasil - Felipe (Cachorro :)), Carlos e Felipe Pavan - viajaremos a Budapeste, na Hungria.

Apos Varsovia, cidade para qual ainda havia ido sozinho, rumei de trem para Cracovia, onde encontrei meus amigos Felipe (Cachorro) e Carlos, o que foi excelente e deu um gas novo a viagem. Viajar sozinho nao eh ruim, mas hah momentos em que realmente faz falta estar com amigos, e quando vc encontra pessoas dispostas a desbravar novos locais e com quem vc tem afinidade, sem duvida eh muito melhor. Acima coloquei uma foto nossa, tirada em frente a catedral, ao lado do palacio real.

Durante muito tempo Cracovia foi a capital da Polonia, na epoca em que esta ainda era uma monarquia. Hoje pode-se dizer que eh uma das novas "sensacoes" do turismo por aqui na Europa, e hah muitos motivos para isso.

Cracovia eh uma cidade que preservou um centro historico realmente muito bonito, que em muito supera, por exemplo, o de Varsovia, que eh uma cidade bem maior. Alem disso, nos arredores de Cracovia hah lugares muito interessantes para se visitar, como a mina de sal em Wielicza (cerca de vinte minutos de onibus) e o chocante e terrivel campo de concentracao de Auschwitz (cerca de uma hora e meia de onibus). Visitamos os dois lugares, e pela importancia, pretendo colocar "posts" especificos.

Cracovia eh uma cidade muito facil para se conhecer a peh, jah que a maioria das atracoes estao no centro. A principal, creio, seja o castelo real, ao qual tivemos oportunidade de visitar. A visao da cidade de lah eh privilegiada. Vale tb uma visita ao seu interior, o que fizemos tb. Pegamos amplitudes grandes de temperatura, alternando sol e calor em alguns momentos do dia, e chuvas e frio em outros.

Nesta cidade tb vi bastantes brasileiros, inclusive em nosso albergue, mas quase nao paramos lah por conta do ritmo pesado de lugares para os quais fomos.

Assim como vi em outras cidades do leste europeu, hah camelos em alguns lugares da cidade (foto acima) que parecem ser bastante frequentados pela populacao local. Os precos dos produtos ali vendidos - como roupas, sapatos, entre muitos outros - saq bons, mas a procedencia parece ser meio duvidosa...rs

Algo que tambem chama muito a atencao na cidade eh a grande quantidade de religiosos - padres e freiras. Hah muitos - e bastante jovens, inclusive - que podem ser visto andando pelas ruas da cidade. A Polonia eh um pais predominantemente catolico, e de lah saiu o ultimo Papa, Joao Paulo II, que realmente eh adorado na regiao, conforme pode-se ver pela grande quantidade de fotos suas em lojas, Igrejas, casas. Antes de ser papa ele foi arcebispo de Cracovia.

Cracovia tem uma vida noturna agitada e muitos turistas jovens. Hah diversos albergues espalhados pela cidade, o que comprova isso. Infelizmente nao pudemos aproveitar muito da vida nortuna, pois os dias foram realmente cansativos.

O mais inusitado na viagem a Cracovia foi nos depararmos com um desfile militar. Nao conseguimos entender muito bem o que comemoravam, afinal, a historia militar da Polonia - e quanto a isso gostaria de ouvir a opiniao do meu irmao, que entende muito melhor do assunto do que eu - eh composta de uma sucessao de invasoes estrangeiras (suecos, alemaes, russos etc) e derrotas, sendo a ultima durante a segunda guerra mundial, quando foi dividida entre a alemanha nazista e a antiga URSS... rs De qualquer forma, pelo menos o exercito parece estar bastante modernizado, talvez reflexos dos novos tempos, em que a Polonia integra a UE e a OTAN.

Apos Cracovia, viajamos para Viena, na Austria, no trem noturno. A viagem foi bem tranquila, apesar de varios estudantes austriacos que "invadiram" o trem...rs De qualquer forma, sem duvida foi muito mais confortavel do que o onibus noturno de Vilnius para Varsovia!